História

   

Um pouco de história

 

Situado na margem direita do rio Tinhela, a freguesia de Pegarinhos, que limita o norte do concelho de Alijó, apresenta longínquas marcas de ocupação territorial ainda hoje perceptíveis na paisagem montanhosa que a circunda. Os rituais pagãos que desde a pré-história recente tinham lugar nesta paisagem marcam certamente um sistema de povoamento regular que aproveitava os recursos que a terra e a rede hidrográfica do Tinhela ofereciam. Esses rituais estão bem marcados nas estações de arte rupestre da Botelhinha e da Igrejinha onde são visíveis, nos batólitos graníticos que cobrem a serra da Botelhinha, gravações de cruzes, motivos raiados, reticulados e ferraduras, que certamente atestam, pela tipologia que apresentam, uma continuada utilização do sítio bem como a afirmação de uma sistema de povoamento mais vinculado à terra.

Os vestígios mais importantes do povoamento pré-histório, mais propriamente da Idade do Ferro, da área são o Castro de Vale de Mir e o Castelo de Castorigo. A sua localização no alto de montes denuncia o carácter guerreiro dos povos que ali habitavam. O Castro de Vale de Mir, localizado na vertente Este do planalto de Alijó, apresenta duas linhas de muralhas entre as quais se encontram diversos fragmentos cerâmicos, moedas e moinhos manuais que caracterizam tanto a Idade do Ferro como a denominação romana neste local. Concomitantemente, o Castelo de Castorigo, situado a Noroeste de Pegarinhos, apresenta três linhas de muralhas, entre as quais são igualmente visíveis inúmeros fragmentos de cerâmica manual, datável da Idade do Ferro. A ocupação romana no Castelo de Castorigo é atestada pelos lagares romanos no sopé do monte e todo o material que lhes está associado. O domínio romano nesta área veio certamente enriquecer os contactos entre os povos, a julgar pelos troços da via romana que são visíveis no sopé da serra da Botelhinha e que muito provavelmente ligariam, pelo Alto do Pópulo, os principais pontos de povoamento na região, nomeadamente os povoados de Vale de Mir, Castelo de Castorigo e o Castelo do Cadaval em Murça, a julgar pelo troço de via existente na vila.

Da época de ocupação romana data também, pensa-se, a primeira forma do actual nome da região: «pecus-oris», palavra latina que significa «rebanho» (reforçando a hipótese de que os povos desta localidade se dedicavam quase exclusivamente à pastorícia a partir do período da reconquista cristã, entre o século VIII e o XV) e que terá evoluído para «Pegarinhos».

Outros elementos patrimoniais marcam a paisagem de Pegarinhos. A ponte de pedra sobre o regato do Souto, a Igreja Matriz, construída em 1804, o cemitério, as casas senhoriais que ladeiam o largo principal, as alminhas e nichos de alminhas que acompanham os caminhos mais recônditos, as capelas de S. Francisco e de S. Bartolomeu, o nicho do Santo Cristo em Vale de Mir, datado de 1744 ou o Santuário da Nossa Senhora dos Aflitos, que, todos os anos, é o destino dos muitos que vêm ver a romaria e procissão, no último domingo do mês de Agosto.

 

  

D.João - Mestre de Avis

 

 D.Duarte 

 

 D.João III 

 

D.SanchoII 

 

Mais História...

     

Entre 15/12/1383 e 06/04/1385 D. João "Mestre de Avis", doou Murça a Gonçalo Vasques Gomes, onde Pegarinhos estava inserido. Acontece que D. João I não chegou a confirmar esta doação, sendo D. Duarte a fazê-lo em 1393.

Mais tarde, por volta de 1523 a 1530, por motivos administrativos e militares D. João III mandou cartas às comarcas para que fizessem o arrolamento de fogos existentes em cada uma cabendo a Val de Mir e a Pegarinhos 6 e 3 fogos respectivamente.

Desde o séc. XVI - XVII a evolução da população em Pegarinhos foi de 3 fogos para 90, o que demonstrou que esta povoação desde 1530 tenha aumentado na ordem dos 2.900%.

No séc. XIX, mais propriamente por volta de 1853, Pegarinhos alcançou a sua independência paroquial, constituindo uma Freguesia independente com os lugares de Val de Mir e Castorigo.

Pegarinhos estava associada a Valdemir já na primeira metade do século XIII, pois D. Sancho II refere no foral dado a Alijó a 1226 a actual freguesia e o “castellum baldimiri”. A sua paróquia foi um curato anual da apresentação do prior e da Colegiada de Guimarães, tendo passado posteriormente a reitoria. Pertenceu até 1853 ao concelho de Murça e a partir daí ao de Alijó.

Fazem parte da freguesia os lugares de Castorigo e Vale de Mir.

 

Outeiro Rupestre da Botelhinha - Pegarinhos

 

  

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Lagares do Castelo de Castorigo - Pegarinhos 

 

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